sábado, 26 de setembro de 2009

Constatação

Andar no ônibus Metrô Rio é como um filme de Stanley Kubrick.
Alguns podem ser lerdos e cansativos, mas você precisa ir até o fim. Outros são tão legais que você repete a dose. E, na grande maioria das vezes, a música clássica embala toda a viagem, enquanto o caos desenfreado passa, do outro lado, pelos olhos do espectador.


domingo, 26 de julho de 2009

Conto garrafal

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Inspirado por:
"Todos os dias esvaziava uma garrafa, colocava dentro sua mensagem, e a entregava ao mar.
Nunca recebeu resposta
Mas tornou-se alcoólatra"
(Conto em Letras Garrafais - Marina Colassanti)
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"Meu nome é Marianna e eu tenho um problema". Foi a primeira coisa que a garota baixinha e frágil disse naquela manhã fria de dois de julho – dia que decidira ir à sua primeira reunião nos Alcoólicos Anônimos. Tudo que ela pensava naquele momento era tirar aquele casaco sisudo que herdara da avó materna, aquelas botas apertadas e abrir a tampinha amarela da minigarrafa de whisky que levava na mochila. Decidiu continuar.
– Comecei a beber muito jovem, há uns... deixa eu ver, eu tinha dezesseis... Cinco anos.
Apesar de todos os participantes do encontro terem seus problemas, alguns não acreditavam que aquela garota tão angelical dos olhos gigantes da cor do mar de Florianópolis no verão...
– Foi resultado de uma brincadeira que não teve mais fim. A culpa não é minha. Funciona assim: a pessoa esvazia uma garrafa, sozinha. Ao acabar, escreve o que vier à cabeça em um papel, coloca-o dentro de uma garrafa e a joga ao mar. Desde a primeira vez prometi a mim mesma que pararia de beber assim que me respondessem, mas o feedback nunca veio.
Os outros oito integrantes da reunião relataram seus tormentos. Ainda assim, o ministrante estava intrigado com Marianna. Sabia que ia acabar bebendo mais tarde – era apenas sua primeira vez – e decidiu segui-la, discretamente. Não foi preciso muito tempo para que ela comprasse (e esvaziasse) uma garrafa de vodka. Passou por ela como um desconhecido, embora ela já não tivesse condições de reconhecer alguém. Entrou no mar, de terno e sapato mesmo. Perdeu o pé esquerdo, tinha areia nas meias, mas conseguiu pegar a garrafa recém lançada por Marianna. Dentro, um bilhete, que dizia, em letras tortas "não responda a esta mensagem".

sábado, 4 de julho de 2009

Vamos falar do Fluminense


Sou flamenguista, não nego. Mas o assunto hoje é o Fluminense.
Não vou entrar em questões muito profundas. Sabe como é, o futebol desperta os amores e os demônios mais poderosos.
Sendo assim, não estou aqui para criticar o grito de incentivo do clube. Nense. Tão chocho que não consigo terminá-lo com exclamação. Também não vou falar das cores do clube. Tudo bem que todos os times do mundo usam vermelho, branco, preto, azul, verde... Cores sem escala, sem firula, e não aquelas que você só encontra em mostruário de loja de tinta, tipo verde musgo e grená. Esta última, só se sabe que existe pelos versos de Toquinho em Aquarela. A música é uma viagem infantil, ele tinha licença poética para cantarolar um avião grená. Sobre o verde musgo, prefiro guardar meus comentários para as mesas de bar acompanhada dos amigos rubro-negros.
E se engana quem pensa que a grande questão é o Flamengo ter ultrapassado o Fluminense em títulos cariocas este ano. Os fatos falam mais do que qualquer frase de efeito que eu escrever aqui.
A grande pergunta é: que p#*%a é essa??? O que é este símbolo na camisa do uniforme tricolor? Nem meus seis meses de estudo de semiótica conseguiram chegar a uma resposta plausível. É um castiçal? Um prato de bateria? Por que a parte do meio parece uma rã (tem os dois olhos, a boca, as patas)? Ou é uma ponte? A parte de cima é uma estátua? A base é a a mesma de uma taça? Ou a garrafa da Jeannie (é um gênio)? Isto é aquela parte do meio das roletas de cassino? É impressão minha, ou usaram um tom meio dourado médio opaco?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sobre diplomas e decretos


Estou aqui, diretamente do – como diz o jornalista José Simão – país da piada pronta. Um lugar onde o presidente tem menos escolaridade que meu irmão caçula, de 16 anos, e uma lei que dispensa a obrigatoriedade de um diploma acaba de ser aprovada. Poderia ser realmente cômico, se não fosse trágico, se não fosse real.
Confesso que não fiquei surpresa. Acho que Rousseau foi o último a pregar a educação como a base de uma nova sociedade. Agora, ao invés de seguirmos bons ensinamentos antigos, estamos apenas retrocedendo. Antes jornalista era quem sabia escrever ou quem tinha um contato influente no meio. Dava status trabalhar na redação. Desta época tivemos Nelson Rodrigues, fazendo escola no New Jornalism tupiniquim, amadores com consciência política e senso crítico, textos imortais...
Hoje quem quiser pode ser jornalista de novo. Dará certo? Nos padrões atuais, em que as celulites – o pecado capital da geração academia (porque Coca-Cola provoca o mal maior) – são assunto de destaque na imprensa por um mês, o que vai acontecer quando qualquer um puder ocupar um espaço que estou estudando para conseguir? Será que vou apontar, com um riso cínico e debochado e dizer "bem feito", ou vou sentir profunda vergonha de dizer e pensar que sou jornalista?
Onde está o senso crítico de quem escreveu o panfleto defendendo o jornalismo por formação intelectual e não acadêmica? Pois o que falta a este sujeito é exatamente o que não pode faltar a um bom profissional do meu ramo. Talvez por isso a disciplina "ética" faça parte da grade curricular. E a apuração, a sensatez...? Se jornalismo é escrever bem vamos dar habilitação de jornalistas aos formandos em Letras e limitar a comunicação social à Publicidade, Propaganda e Relações Públicas.
E se o diploma é tão indiferente assim para o jornalista, o que fazer com tudo que aprendi nestes três anos e meio de curso? Foi tudo em vão? O Ministério da Educação aprovou uma grade curricular que não fará diferença nenhuma na minha vida profissional? Ética na Comunicação; Sociologia da Comunicação; Redação e Edição em Impressos, TV e Rádio; Redação Jornalística I, II, III e IV; Teorias do Jornalismo e da Comunicação e etecétera, e intuição, dá na mesma?
Todos os (inúteis) livros direcionados ao jornalismo deveriam ser recolhidos da bibliotecas e incinerados o quanto antes. Se a instrução é dispensável, que o próximo novo decreto proíba a publicação, a reedição e a venda de livros nesta área. E os alunos, devem ser reembolsados? Devem abandonar a universidade?
Outra medida importante deve ser tomada. Uma medida de equiparação. Faço um apelo para que seja dispensada a habilitação de caminhoneiros, motoristas particulares, taxistas e motoboys. Direção com habilidade, e não mais com habilitação. Os brevês também podem ser dispensados. Aquele que ganhar todas as partidas no Battle of the Isles, Strikers e adjacentes já estão prontos para largar o controle do videogame e pilotar um avião ou helicóptero de verdade. A exigência de escolaridade para cargo presidencial já foi abolida. A obrigatoriedade de senso crítico e o incentivo à educação não são mais as regras do jogo para um oficial a nível do presidente do Supremo Tribunal Federal. Ainda bem que Rousseau já está morto...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Táxis especiais

(Reportagem: Larissa Peron)

Uma cooperativa de táxis carioca adaptou sua frota para transportar deficientes físicos.
A tecnologia já era usada em ônibus e vans, mas é recente em carros.
Poucas cidades brasileiras são capacitadas com este serviço, que dá mais independência ao cadeirante.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sic – Caindo na armadilha



Mais = adv. Designa aumento, grandeza, superioridade, comparação. Preferentemente. De novo. Em maior número ou quantidade.
Uso numa frase: Qual das armadilhas do diabo parece mais gostosa?

Mas = conj. Indicativa de oposição ou restrição. Objeção.
Uso numa frase: Eu pensava que errar fosse humano, mas é armadilha do diabo.

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Será que foi bom para o operador de caracteres?

O diabo não quer que as pessoas saibam português?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Em setembro, nos cinemas, a verdade por trás de Woodstock


O novo filme do diretor Ang Lee já tem data para estrear no Brasil. A partir de setembro, os cinéfilos de plantão verão a nova obra do taiwanês que dirigiu O Tigre e o Dragão, Hulk e O Segredo de Brokeback Montain. O filme da vez é uma comédia. Taking Woodstock conta a verdadeira história do maior festival da contracultura mundial. Os shows de Janis Joplin, The Who, The Doors, Jimi Hendrix e adjacentes foram vetados por todas as cidades perto de Nova Iorque, em censura aos Hippies. Até que um jovem dono de um hotel a beira da falência oferece seu quintal para o evento, que completa 40 anos em agosto. O filme é baseado no livro Taking Woodstock, a True Story of a Riot, a Concert and a Life, de Eliott Tiber, o dono do terreno que marcou a geração paz e amor.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Igreja Católica se posiciona contra alteração na maioridade penal


A Confederação Nacional de Bispos do Brasil não quer que a maioridade penal seja aprovada no país. O assunto vem sendo discutido pela Comissão de Constituição e Justiça, com variadas propostas de emenda para reduzir o limite etário para imputabilidade penal para 16 anos. Uma delas estabelece que a maioridade penal aos 16 é válida quando o crime cometido for considerado contrário à vida. Há ainda uma proposta que reduz a maioridade para 13 anos, em caso de crime hediondo. A CNBB afirma, em nota, que a maioridade penal não resolve o problema, apenas penaliza mais os adolescentes pobres, negros e moradores de periferias, ferindo seus direitos.

Flamengo e Botafogo se enfrentam no próximo fim de semana

Domingo é dia de decisão no Maracanã, Flamengo e Botafogo jogam pelo título de campeão carioca. A primeira partida terminou empatada em dois a dois, assim, nenhum dos clubes vai ter vantagem no dia três. O Botafogo vai entrar em campo sem Maicosuel, machucado no último domingo. O desfalque do Flamengo é o técnico Cuca, que continua suspenso.
Desde 2007 a final do campeonato é disputada entre o glorioso e o rubro-negro. Se o Flamengo ganhar, conquista – pela quinta vez – o tricampeonato e passa a ser o time carioca com mais títulos estaduais, com trinta e um, desempatando com os trinta do Fluminense. Além disso, é a chance de Cuca provar que não é azarado e da torcida do Botafogo marcar presença em um Fla x Bot decisivo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

FIA libera uso do difusor na temporada 2009

A polêmica sobre os difusores deu a sua última volta na manhã de hoje. Depois de dois dias de discussão, a Corte de Apelação (ICA) da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) definiu que a peça usada pelas equipes Brawn GP, Toyota e Williams não vai contra o regulamento desta temporada. De acordo com a ICA, os argumentos apresentados pela Ferrari, BMW, Red Bull e Renault não foram suficientes para abolir o artefato aerodinâmico, e agora, com o aval da FIA, as outras sete equipes farão alterações em seus carros, para que o difusor seja acrescentado. Com a decisão, as tabelas de resultados permanecem as mesmas.

Os dirigentes das escuderias Ferrari e Renault alegavam que, além de infringir as novas regras aerodinâmicas, a vitória (em novembro) da recém-nascida Brawn GP seria certa, com o uso da peça traseira. Ross Brawn, dono da atual campeã do ranking de construtores, retruca que os bons engenheiros souberam encontrar brechas nas normas. Segundo ele, o texto não estava claro e, por isso, redigiu um novo, mais conciso, que não foi aceito pelos demais dirigentes. Mesmo com a liberação do difusor, a Ferrari promete outras mudanças, já que ainda não fez corridas brilhantes. Com todos os carros mais aderentes ao chão, o que se espera é um certo equilíbrio entre as equipes, apesar do favoritismo da Brawn, superiora às outras duas equipes que já correm com o polêmico aparato aerodinâmico. A Renault pretende estrear o dispositivo no GP da China e a RBR promete um novo carro até o GP de Mônaco. Foi dada a largada na corrida pelo difusor.


quinta-feira, 19 de março de 2009

O historiador do futebol


Uma entrevista nada convencional com Roberto Assaf, um apaixonado por tudo que faz, sobre o esporte que mais desperta paixão



De tênis, calça jeans e camisa – o uniforme oficial dos jornalistas esportivos – ele entra na sala de aula, às 17h, 15 minutos antes do combinado e da maioria dos alunos. Com um sonoro e simpático "oi" e um largo sorriso de menino, Assaf se disponibiliza à turma de aspirantes a jornalistas da FACHA, onde leciona. Entre perguntas profissionais e pessoais dos alunos, a que se destaca é do próprio entrevistado. "O que Deus está fazendo aí?", brinca, com ar de seriedade – ou vice-versa – ao ver uma foto de Zico na tela do computador. Por causa do Galinho, Assaf se envolveu em uma briga, em 1978, quando ouviu um comentário sobre seu ídolo. "Já fui mais Zico do que flamenguista", relembra pontuando sua maior catástrofe pessoal, a Copa do Mundo de 78. Na lista de piores partidas, Flamengo 0x1 Peñarol, em 1982, quando o time brasileiro seria bicampeão da Taça Libertadores da América, e Flamengo 0x3 América do México, jogo dado como ganho, que tirou o rubro-negro da Libertadores de 2008. Contrariando os ingênuos que acreditam que jornalista esportivo não tem time, Roberto Assaf é flamenguista de coração por um golpe do destino e um grito de torcida. Assaf cresceu assistindo a treinos do Fluminense com o pai tricolor. Na final carioca de 1963, seu pai o levou ao Maracanã para ver o clássico Fla 0x0 Flu na intenção de comemorarem o título. O resultado garantia a vitória rubro-negra, e a energia da maior torcida do mundo marcou ali sua paixão pelo Flamengo. E justamente a paixão retardou seu ingresso no jornalismo esportivo. Roberto Assaf, nascido em 1° de outubro de 1955 e formado pela FACHA em 1982, começou cobrindo boletins de ocorrência e passou dez anos circulando pelas editorias para "não perder nenhum jogo de futebol cobrindo natação". Depois se rendeu, foi para a editoria das medalhas de ouro e trabalhou em lugares de peso até chegar ao Lance!, onde é colunista. Assaf, que cresceu nos impressos e adora escrever, tem 13 livros publicados, entre eles, "Seleção Brasileira 1914-2006", adotado como livro oficial da CBF. Incontáveis entrevistas, do Sem Censura a TV Lance!, também recheiam seu invejável currículo. Entre um jogo e outro, como um carioca que se preze, não abre mão dos sambas e da cerveja gelada da Marquês de Olinda. Maracanã? Só disfarçado, "você jamais me reconheceria."

terça-feira, 17 de março de 2009

Brasil pode reforçar natação masculina no México, em 2011

A nadadora brasileira Rebeca Gusmão foi banida do esporte ao ser flagrada no exame antidopping nos Jogos Pan Americanos de 2007. Os exames de Rebeca, além de terem mais de um DNA, apresentaram níveis de testosterona exógena, ou seja, produzida fora do corpo. Ao invés de excluí-la da natação, a Corte Arbitral dos Esportes poderia mudar a nadadora de categoria. Braços grossos, ela tem. Ombros exageradamente largos, tem também. Curvas femininas, não, nenhuma. Testosterona, passando dos limites aceitáveis. Em 2011, no Pan Americano em Guadalajara, vamos torcer para Rebeca Gusmão ganhar mais medalhas que Michael Phelps na natação masculina.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Aquecimento global volta a preocupar com novas estimativas


Devido ao aquecimento global, o nível dos oceanos vai aumentar o dobro do previsto até 2100, segundo estimativas do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas. O IPCC alerta que diversas áreas irão sofrer grandes desastres. As áreas costeiras, como Londres e Alexandria, serão alvos certos de frequentes inundações. Ilhas como as Maldivas, no Oceano Índico, e Tuvalu, no Pacífico Sul, poderão desaparecer do mapa. Para se protegerem das inundações, os países precisam fazer grandes investimentos, com gastos calculados em torno de US$ 150 bilhões de dólares.